sábado, 11 de setembro de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

O que aconteceu com Lindoneia?


Amnistia, ou anistia (do grego amnestía, "esquecimento"; pelo latim tardio amnestia).









"Na frente do espelho,
Sem que ninguém a visse:
Miss,
Linda, feia,
Lindonéia desaparecida"






terça-feira, 30 de março de 2010

Ao Eleitor Antário




Vida de Antário é uma vida breve.
Vida de Antário se vive em vão.
Antário não voa; Antário não é leve.
Antário engole seco o seu pão.

Mas vai, Antário!
Abre esse olho.
Olho de Antário
Que nada vê
Não vê razão.
Não vê graça e nem tem paixão!

E o ouvido?! Antário, eu duvido
Que tenha um bom ouvido!
Antário tem ouvido de bicho
que só ouve o som do bucho.

Porque bicho que é assim:
Não vê razão e se contenta
com seu seco e ralo capim.

Não vê que o padeiro
Tá zombando de você?
Coisa alguma você vê!

E é culpa desse olho gordo
Que é tão inchado de miolo
Deste maldito pão com mofo.

Vai-te, Antário
Come desse pão teu
O padeiro te riu,
Antário,
E você nem percebeu!

Ora. Ora que
Deus é pai, Antário.
Glória a Deus,
ao padeiro
E ao seu salário.




domingo, 14 de março de 2010

Sobre Palavras

Desde sua infância, Érico demonstrou gosto pelas palavras. Ao escrever ou falar, colhia, peneirava e degustava as palavras certas. Um texto seu sempre foi um grupo seleto de sílabas, pontos e interjeições.
Apenas aquela palavra que coubesse, encaixada, lado de outra e mais outra. Desconheço a palavra inicial de Érico, mas daí veio a quase infinita sucessão de tal colheita.
Conforme cresceu, é verdade que o rapaz tomou outros hábitos, mas estes eram pura veleidade: essencial era mesmo a escrita.
Escrevendo um de seus contos, certo dia, por esses acasos que ninguém sabe explicar, Érico deu conta de que faltaria papel para suas palavras. Desesperou-se. Palavras como aquelas não poderiam, de forma alguma, cair no esquecimento! As linhas vazias se esvaíam, até que foram preenchidas.
Érico não hesitou. Estufou-se e continuou os escritos na parede de seu quarto. Evidentemente, uma parede não bastaria. Tomou todos os cômodos de sua casa. Abriu, numa fúria imensurável, cada enciclopédia de sua estante e ignorou as palavras já escritas nas folhas. Sobre essas palavras, arranjou palavras suas. Aquelas, sim, eram dignas o bastante para ocuparem espaço em sua casa.
Tomadas todas as páginas, escreveu nos móveis, no chão e nas janelas, e então percebeu que estava rodeado pelo fruto de seu parto. Um acesso de claustrofobia pressionou-lhe o peito, mas continuava, absorto, a escrever.
Num bruto suspiro, tocou as costas quentes no chão frio e escreveu sobre suas pernas, músculo por músculo, subindo até sua face. Regozijou-se com a sensação de sufocamento; numa cólera rasgadamente literária, bramiu com todas as suas forças a derradeira palavra.
O que veio foi uma total surdez doentia. Emudeceu-se e assim permaneceu até sua morte. Em sua lápide, há um vazio que todos entendem mas não explicam. Ora; todas as boas palavras já haviam sido ditas e a nós, os meros falantes, restaram as levianas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O outro lado da manchete

Havia um vazio nos corações do Brasil, naquela tarde de janeiro. Por detrás do silêncio doentio que assolava a cidade, era quase possível ouvir ecoar o som de todos os televisores anunciando a morte dela. O perturbador é que Elis não deixara carta; antes deixasse alguma canção, escrita às pressas. Tudo que se encontrava atrás da porta do seu quarto eram vestígios de sua derradeira dose (dose esta que mataria um pouco cada brasileiro).
A falsa serenidade e o leve sorriso bordados no rosto da cantora, já no caixão, é tão inquietante quanto o suspiro de sua mãe, que quase não percebe a câmera a filmá-la.
Balança a cabeça e abaixa seus olhos, sentindo sua dor materna, que mesmo dividida por um país inteiro, poderia preencher o vazio de seu coração.





A favela acordara Carolina cedo, aquela manhã. O barulho na janela significava sinal de perigo, coisa que ela não entenderia muito bem até atingir a idade de sua irmã (embora não soubesse bem ao certo a idade de sua irmã, já que há alguns anos ela sumira sem deixar vestígios). Chamou seu pai e não obtendo respostas, Carolina, com sua curiosidade de uma criança de oito anos, saíra para ver o que de fato acontecia e talvez entender o motivo para tanta gritaria e agitação.
Abriu a porta de seu barraco e pisou na terra batida ainda molhada pela chuva do dia anterior. O que sentiu a seguir foi um baque. Um som seco. Abaixou seus olhinhos e mirou em seu peito um espirro vermelho de sangue, que tingia seu pijaminha amassado.
Se ela tivesse a idade de sua irmã, saberia que não era uma boa hora para sair de casa. Tempos de disputa no morro nunca parecem ser uma boa hora para sair de casa.
Sua mãe subira correndo os degraus que a levaram à sua porta; deixando os pães no chão molhado da chuva do dia anterior, abaixou a cabeça e rezou. Rezou em um silêncio tão doente quanto no dia em que rezara para sua outra filha, que Carolina saberia a idade, se não tivesse sumido sem deixar vestígios há um tempo.
O corpinho de Carolina foi sepultado ali perto, sem muito alvoroço. Nas intenções da capela, havia um papel, nomeado à "Finada Carolina" que se confundia no meio de tantas outras Carolinas, por ninguém saber Carolina do quê.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Caras (ou não),


Já peço desculpas, de antemão, se ofender alguma das caríssimas mulheres. Caso não as ofenda, também peço desculpas por não ser clara a ponto de fazê-lo. Pois bem:

A melhor de vocês todas não deve custar muito mais que um batom em promoção, e eu digo o porquê;

Vocês odeiam usar aquele sapato verde cor (e aparência) de musgo.
Vocês se vestem como bolos de casamento e lhes digo que é à toa, pois continuam sendo as mesmas frustradas por debaixo de toda essa seda... E todo mundo sabe disso.

Rebocar a cara com corretivo NÃO é legal. É isso que vocês fazem: retocam a maquiagem para sempre torcerem o nariz para o que vêem no espelho.

Para preencher esse vazio, penso que serão necessários mais sapatos do que o "bolsa-esposa" pode lhes fornecer.


Cuidado, os rótulos vocês já têm! Se as puserem em prateleiras pode ser um sinal de que vocês já viraram produtos! E não estou falando de Guerlain, não. Tudo indica que vocês são produtos nacionais.

Temo indicar, mas logo, logo, com a queima de estoque, estarão a preço de banana!