Pedi ao Macuco
Que leve para ti essa canção
Leve, toma, é de coração
Pois ela lembra aqueles tempos de escola
Em que o tempo era maluco
e ingenuamente se trocavam graçolas
Mas o Macuco falhou
E foi a vez do Juriti
Levar para ti
Esta cria minha que se criou
Mas faltou asa ao pobre infeliz,
Tropeçou no céu e caiu no azul,
por essas horas estará ele pelo Sul
Passando a vez para o Perdiz
O Perdiz por não conter
Logo tirou um barato
Mas não percebeu que, de fato,
Lhe roubava Tiê o seu dever
E furava o céu, à procura da Neguinha
Mas sabia ele - e isso ninguém dizia
que num desvario a maldosa Ave-fria
Ignorararia todas estar tortas linhas
Entretanto, ofegante entregou,
Com medo, à terrível Ave-Fria,
Que com pouca emoção nem olhou,
Amassou o envelope e logo retrucou:
"Que me vale passarinhos a voar
Orientados a me entregar
Versos que já decorei,
Versos que um dia fui em que criei?"