sábado, 23 de maio de 2009

O cubículo da Cela


Aqui nesta cela não se vê delinquente,
Nem ladrão deselegante,
Assassino adolescente
Nem habilidosos meliantes

Na cela, a moça suspira segura
Ao rapaz, a cela é como um apoio
Pra mim ela está mais pra fechadura,
Pra mim, é muita sede pra pouco arroio

Aqui só tem gente
Que é gente bem de vida,
Medo tem esta gente do mundo,
Do mundo imenso
Daquela gente lá de fora.

Gente bem de vida
Gente sempre com medo,
Contarei do nosso receio
-Mas isso é nosso segredo-
Temos medo mesmo
É do mundo imenso
Daquela gente lá de fora.

Esta alma do cubo presa,
Que por uma veleidade
Resolvei mandar lembranças,
Pediu de volta a liberdade
De quando ainda era criança.

E Grita-me, com urgência,
Uma verdade irritante,
Tenha a decência
E brada-me a seguinte verdade
Crua, nua, inquietante:

Amar selada é errado
Amar atada não vá
Alma, procura uma saída
Que procure disfarçar
Alma, procura uma cela
Que possa lhe resguardar